quarta-feira, 26 de maio de 2021

Irmandade Vs Lupin - uma análise sobre criminalidades e sistemas punitivos e carcerários

 por Andreza souza 

A série ‘’irmandade’’ é dirigida por Pedro Morelli, trama ambientada nos anos 1990 apresenta Cristina (Naruna Costa) que, apesar de ser uma advogada bem-sucedida, nunca esqueceu o irmão Edson (Seu Jorge), preso há 20 anos, o qual também é líder da organização criminosa chamada Irmandade. Ao se infiltrar neste grupo para obter informações para a polícia, a personagem passa a se envolver cada vez mais com a entidade, questionando o sistema judicial e presidiário.

A escolha de Morelli foi assertiva quanto a protagonista, Hermila Guedes, brilha em suas aparições como mulher, bem-posicionada, presidente. Já seu Jorge e Cristina foi bem dividido entre eles o papel principal, sem roubar o papel de ninguém.

Apesar de ser uma trama dos anos de 1990, a personificação dos presídios apresentados é construída por meio do ótimo design de produção e grandes acontecimentos narrativos, podendo ser comparados com o cenário da atual realidade brasileira.




De forma muito inteligente, Pedro Morelli consegue criar uma atmosfera para a continuação, onde o espectador não queira continuar a série somente pelas pontas soltas, mas também para acompanhar os personagens e suas histórias.

Logo a série ‘’lupin’’ é baseada nos romances policiais de Maurice Leblanc contando com a responsabilidade de atualizar suas histórias para os dias atuais. a série conta com o destaque de Omar Sy como protagonista e grandes referências a sua obra de origem, sendo tanto uma homenagem ao “ladrão de casaca”, como também uma porta de entrada para a literatura francesa. Apesar de ser uma produção francesa, tipo releitura de livro, possui uma narrativa pouco intrigante para um suspense policial e terminar a temporada com diversas questões em aberto.

Lupin se tornou um gênio do crime na Paris do início do século 20. Tal personalidade inspira Assane Diop (Omar Sy), um homem que, 25 anos atrás, viu sua vida virar de cabeça para baixo com a morte de seu pai, acusado injustamente de um crime. Já atualmente, ele está em busca de vingança e, para isso, se inspira em Lupin para descobrir o que aconteceu com o pai.

As duas series são intrigantes, deixando o expectador com um gostinho de quero mais, ambas têm uma trama intrigante, tratando sobre assuntos relacionados ao racismo, sistema penitenciário e corrupção. levantando ainda mais o questionamento de que lugar de gente preta é na cadeia, e que por muitas das vezes tem um sistema corrupto, que é pago para omitir ou queimar provas que os inocentem.

Levando o expectador a se questionar, lugar de pessoas pretas é na cadeia ou em um leilão?   Será que o sistema é mesmo corrupto? Ainda existem pessoas sendo presas por um erro que não cometeu?


Resenha crítica produzida na disciplina - Jornalismo e Cultura Brasileira semestre 2021.1 ministrada pela prof. Helen Campos.

Negro Drama: Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso?

 Negro Drama:

Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso?

 

por Felipe Martins Farias

 

 

            Antes de iniciar esta análise, vou apontar de onde estou fazendo este texto: Eu, homem branco e de classe média, talvez seja uma das últimas (senão a última) pessoa apta a falar sobre o drama diário do negro brasileiro. Mas como a música questiona, o que eu devo ter a ver com isso? E partindo deste questionamento achei pertinente, já que envolve a matéria e os temas discutidos em sala, fazer uma análise de uma obra de um grupo que admiro e acompanho.

Identificar o cerne de um problema que moldou e molda um sistema que me beneficia diariamente em detrimento de tantos outros cidadãos é uma das chaves para mudança de atitude e postura diante do racismo sistêmico em busca de justiça social. E conforme a própria Winnie Bueno trouxe em seu trabalho “A justiça social só é possível se ninguém for deixado pra trás: se há subordinação de um grupo pelo outro não há justiça social”.

            O grupo Racionais MCs, fundado no final da década de 80 no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, foi e ainda segue sendo uma voz ativa da comunidade negra e periférica do país. Com quase 30 anos de história, o grupo denunciou o racismo (individual e sistêmico) sofrido pelo cidadão negro brasileiro em grandes obras como “Negro Drama”. 





            A música, faixa do disco “Nada como um dia após o outro dia” de 2002, é um relato poderoso da percepção do racismo sofrido na pele diariamente pela população negra. A canção aponta a cotidianidade do tema, e os traumas causados pela persistência de uma chaga tão profunda e que é a todo momento lembrada. O trauma que eu carrego/ Pra não ser mais um preto fodido”. Em outra passagem, os versos remontam a naturalização da condição marginalizada do negro no Brasil: Me ver pobre, preso ou morto já é cultural”. É notório também dentro do discurso da música a influência das ideias de Malcom X que contrastam com o mito da democracia racial que impera no Brasil: escancarando o abismo social inciado com a escravização de negros africanos e seu posterior envio ao Brasil colônica e perpetrado através de políticas de exclusão e extermínio Edi Rock brada: “Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu”

            Mano Brown em seus versos dentro da mesma música revela mais um arquétipo feminino forjado pelas relações raciais no Brasil: sua mãe, mulher negra, nordestina, que deve ser “forte” ao desbravar sozinha a metrópole: “Uma negra e uma criança nos braços/Solitária na floresta de concreto e aço [...] Família brasileira, dois contra o mundo/ Mãe solteira de um promissor vagabundo”. Até aqui podemos concatenar o pensamento de Winnie Bueno em análise da obra de Patrícia Hill Collins, pois conforme aduz em seu texto: “O empoderamento político de mulheres negras jamais será possível em um contexto em que os homens negros estejam sendo prejudicados [...] Da mesma forma não há possibilidade de autonomia para os homens negros se as mulheres negras não puderem exercer plenamente suas capacidades.”. Brown ainda desafia o ouvinte que desconhece sua realidade (ou que a conhece apenas através de suas músicas) a encará-la e manter uma atitude positiva como é esperado do negro Brasileiro: “Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz” e denuncia mais uma vez o espaço que é relegado à familias negras na cidade: “Eu recebi seu ticket, quer dizer kit / De esgoto a céu aberto e parede madeirite”.

            “Negro Drama”, assim como as demais músicas da extensa obra do grupo, faz um recorte frio e direto da realidade de famílias negras do Brasil, como o negro, impelido às margens da sociedade percebe em seu dia a dia as cicatrizes de um processo de mais de trezentos anos para o qual azinda não foi pensada uma solução concreta para além de medidas paliativas para suas consequências. E dentro deste processo a formação de arquétipos masculinos e femininos para tentar naturalizar a situação atual do cidadão negro, ao invés de assumir suas causas e iniciar um projeto efetivo de reparação histórica.





            E ao contrário do que diz Brown ao final da música, eu, branco, apenas li e assisti ao negro drama. Não conheço suas dores, tampouco seus frutos e a tentativa de compreender e escrever sobre dentro de um espaço que a disciplina me permite é uma das formas de se iniciar uma conscientização que fique para além de ideias e palavras. Mano brown relata que apesar de se falar e estudar sobre, nada substituirá a vivência na pele do racismo e de suas nefastas consequências para a história dos cidadãos e do país: Eu num li, eu não assisti/ Eu vivo o negro drama/ Eu sou o negro drama/ Eu sou o fruto do negro drama [...] Porque assim é que é, renascendo das cinzas / Firme e forte, guerreiro de fé /Vagabundo nato!”

 


Resenha crítica produzida na disciplina - Jornalismo e Cultura brasileira - profa. Helen Campos. Semestre 2021.1

            

Resenhas críticas analisam narrativas midiáticas numa perspectiva interseccional

 Alunos e alunas do componente curricular - Jornalismo e Cultura Brasileira - ministrada pela prof. Helen Campos no semestre 2021.1 produzem resenhas críticas que analisam diversas narrativas midiáticas observando em que medida marcadores sociais da diferença como raça, gênero e orientação sexual e classe estão articulando discursos que constroem produção de sentidos. Em seguida serão publicados esses textos. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

 Resenha crítica - Filme KBELA

                                                                                                         por Paula Carolina Dantas

 

Filme KBELA é um curta-metragem, representado somente por mulheres negras, menos de 30 minutos de duração, conteúdo forte que envolve a cultura negra, religiosidade e as questões de enfrentamento diante de uma sociedade que impõe padrões de beleza.

É um filme de impacto social, que mostra dor, angustia e superação das mulheres negras.  Uma história de mulheres que são sufocadas por uma sociedade racista e seus padrões de beleza.
Inicialmente as cenas são de dor e sofrimento com imagens fortes de alisamento e pintura do corpo como representação de como são impostas a belezas de outras etnias, decorrendo de cenas de aceitação, fé e renascimento em si. Mostra a beleza do povo negro, sua cultura, suas roupas coloridas, turbantes, seus cantos como iorubá e religião.

É a representação de muitas mulheres que se reinventaram e se assumiram ao logo dos últimos anos, se livrando do que lhe era imposto e se amando como são.
 
KBELA nasceu a partir de um conto que ela escreveu sobre descobrir-se negra e “assumir” os fios crespos. O texto foi parar na publicação da Flupp (Feira Literária das Periferias) e, em seguida, foi encenado em algumas casas durante o Festival Home Theatre.

O curta metragem realizado de forma colaborativa, todas as pessoas envolvidas trabalharam sem receber dinheiro, pois a primeira versão do filme foi perdida em um assalto, com as gravações quase concluídas.
A primeira exibição pública do curta-metragem aconteceu no dia 12 de setembro de 2015, no Rio de Janeiro, no Cine Odeon por uma plateia de negros. O sucesso de público culminou no convite para a realização de mais três sessões com meia-entrada para todos. Desde então, KBELA circulou o Brasil e o mundo em exibições especiais.

A referência máxima do filme é o cineasta e ativista do movimento negro Zózimo Bulbul [1937-2013] e a linguagem que ele usou no filme Alma no olho, de 1974. Também teve influência de videoclipes da cantora de soul Laura Mvula, textos da ativista americana Bell Hooks, músicas da Nina Simone e do John Coltrane e a performance Bombril, da artista mineira Priscila Rezende.
 
KBELA é uma experiência audiovisual realizada de forma colaborativa por mulheres negras sobre mulheres negras. Com roteiro e direção de Yasmin Thayná, o filme recebeu o prêmio de Melhor Curta-metragem da Diáspora Africana da Academia Africana de Cinema (AMAA Awards 2017) e foi convidado para dezenas de festivais ao redor do mundo, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR, 2017) e FESPACO – Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, em Burkina Faso, o maior do continente africano. 
O processo de produção do filme é baseado nas redes de afeto e da internet – o elenco foi convocado nas redes sociais para garantir a diversidade de personagens que também colaboraram com suas histórias pessoais para o curta. Uma vaquinha online contou com a colaboração de 117 pessoas e arrecadou R$ 5.000 para custear as gravações do filme.

 

DIRETORA

Yasmin Thayná

 

Yasmin Thayná nasceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e cresceu na Vila Iguaçuana, em Santa Rita. Filha de empregada doméstica, criada por seu pai Osmar (porteiro e pedreiro) e sua avó paterna, sempre estudou em escolas públicas e participou de projetos sócias em seu bairro. 

 Começou a rabiscar quando decidiu entrar para o grupo de jovens repórteres de sua cidade onde participou como repórter no projeto “memórias do cárcere”, realizado na 52ª DP e além de escrever para o blog CulturaNI. Aprendeu a pensar nos cineclubes e nas conferências de cultura que participou em Nova Iguaçu. Desde os 16 anos dirige, escreve e participa de produções de curta-metragem. Depois de ter inventado umas 3 vidas, Yasmin Thayná é diretora formada pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu e idealizadora da plataforma Afroflix.

 

Filmografia:

Rios, web série, direção, roteiro e montagem (2018)

Trilogia do olhar, videoarte, direção e montagem, 2018

Mulher do fim do mundo, direção e roteiro, videoclipe, 2018

Trajetória de um guerreiro, videoarte, direção e montagem, 2018

Guia da periferia afetiva, 2011, videoarte, direção

Lembranças de minha avó, 2011, documentário, direção e montagem

Barbeiragem, 2017, documentário, direção e roteiro

Vale longo, fashion film, direção e montagem (2017)

Nada está fora do lugar, experimental, direção e montagem (2017)

Batalhas, documentário, direção e roteiro (2016)

Afrotranscendence, web série documental, direção (2016)

Reconstrução, Videoarte, direção e montagem, (2012)

Frascos de perfume, Videoarte, direção e montagem (2009).

 

EQUIPE KBELA

Direção e Roteiro

Yasmin Thayná

 

Atriz (ordem alfabética)

Ana Beatriz Silva

Ana Magalhães

Carla Cris Campos

Dai Ramos

Dandara Raimundo

Isabél Zuaa

Lívia Laso

Marcelly Knowles Jackson

Monique Rocco

Maria Clara Araújo

Sara Hana

Taís de Amorim

Taís Espírito Santo

Thamyres Capela

 

Direção de Produção

Erika Candido

Monique Rocco

 

Colaboradora de roteiro

Erica Magni

 

Direção de Fotografia

Felipe Drehmer

 

Montagem

Rafael Todeschini

 

Direção de arte

Ana Almeida

 

Diretor(a) musical

Ana Beatriz Silva

Ana Magalhães

Dai Ramos

Monica Ávila

Thomas Harres

 

Direção de Comunicação

Silvana Bahia

Bruno F. Duarte

 

Figurino

Macela Domingos

Vinicius Couto

 

Som

Tiago Emanuel

 

Still

Alile Dara Onawale

 

Maquiagem

Camila de Alexandre

 

 

 

 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

RESENHA CRÍTICA: KBela

 Por Eula Olivia Brito Santos

Obra dirigido por Yasmin Thayná, nascida no Rio de Janeiro, ainda jovem, aos seus 16 anos já dirigindo, escrevendo e participando de curtas-metragens, entrou para o grupo de jovens repórteres da Vila Iguaçuana (Santa Rita) participando do projeto “Memorias do Cárcere” na 52ª DP. Atualmente na PUC- Rio é estudante de comunicação social e ainda segue interessada sobre assuntos de impacto atual, como redes sociais, cinema, raça, gênero e comunicação. Além de trabalhar como pesquisadora no segmento de políticas públicas na Fundação Getúlio Vargas, foi colunista de jornais virtuais e blogs, fundando o projeto ‘Nova Iguaçu Eu Te Amo’ e integrou o projeto ‘Coletivo Nuvem Negra’, produzindo além de ‘Kbela’ em 2015, Yasmin Thayná também escreveu e dirigiu a obra “Batalhas” que aponta o curso do funk ao decorrer da história.

Sua produção foi completamente orçada pelas pessoas, por intermédio das redes sociais contou com a colaboração de 117 pessoas, que levantaram o valor de R$5.000,00 para os custos da gravação, ou seja, um financeiro relativamente limitado não foi o bastante para impedir a obra de ser feita ou premiada. Da mesma maneira a convocação do elenco se deu pelas redes sociais, para garantir a maior variedade de histórias e realidades de mulheres negras ara mulheres negras.

Ao analisar mais detalhadamente, notamos que o processo de escolhas e decisões tomadas para expressar, mover e impactar ao público, da maneira desejada e objetivada pela diretora foi minuciosamente montado, para deixar o curta com sensação de retratar uma realidade de modo mais verossível, os recursos usados não tentaram encobrir, mas revelar a realidade por traz do curta e por traz das câmeras, algo que o abuso de efeitos pode roubar e expressar apenas como uma ficção e não como a verdade que é contada, no caso a vida direta das mulheres que se disponibilizaram a participar do curta. Neste contexto, o fato de ter sido feito por meio de colaboração em conjunto, foi um fator que colaborou para retirar do curta a sensação de se assistir e substituiu pela sensação de inserção na realidade transmitida.

Em relação as características técnicas, a iluminação foi tratada para enfatizar alguns aspectos da cena, sendo também percebido o aproveito da luz do ambiente para contribuir com a naturalidade da cena retratada, em relação ao vestuário escolhido, noto que o figurino não foi utilizado ao aleatório, mas, foi escolhido para causar a impressão correta sobre a cena, como o saco na cabeça ou o vestido colorido, com faixas coloridas na cabeça, ou seja, são elementos visuais fundamentais para a compreensão do sentimento a ser passado, juntamente com a interpretação que particularmente foi de alta qualidade e eficácia, pois, percebe-se que não estavam apenas atuando e sim expressando algo já real em suas vidas, seus sentimentos e experiências reais, algo que não se aprende em escolas de teatro. 

Outro fator a ser discutido é o som de fundo, com quadros próximos nos permite praticamente estarmos juntos com as mulheres nas cenas, como cena em que se pintam de branco, oscilando com enquadramentos pouco mais distantes, como na cena em que está coberta pelo saco de lixo. A cena apresenta uma metáfora quanto ao estímulo racista do embraquecimento de corpos negros a partir do alisamento de seus cabelos por exemplo. 




Intercalando entre eventos rápidos e contínuos, como por exemplo, cenas da mulher aplicando produtos em seus cabelos são cenas rápidas, mas, constantes durante o curso do curta repetidas vezes de formas que não é finalizado o processo de cuidado de seus cabelos, aponta como os eventos acontecem rápidos na vida das pessoas, mas, certas eventualidades são constantes, como o racismo, preconceito e a violência vivenciada, sem tempo de recuperação, da mesma maneira o filme mostra as cenas diretamente, sem uso de efeitos especiais para camuflar, disfarçar, atenuar ou amenizar a passagem de informações.

Direção: Yasmin Thayná

Edição: Rafael Todeschini

Elenco: Monique Rocco, Isabél Zuaa, Maria Clara Araújo, MAIS

Produção: Monique Rocco, Erika Cândido

Link: https://www.youtube.com/watch?v=LGNIn5v-3cE

Assista ao filme completo aqui


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Pose e um show visual


Por: Gabriel Conceição

Disponível no catálogo da Netflix, “Pose” é mais uma produção dos diretores e roteiristas Ryan Murphy e Brad Falchuk. A série é ambientada no final da década de 1980 e resgata o cenário dos bailes LGBTQ+ de Nova York, símbolos de arte, luta e resistência. Com figurinos e cenários bem datados da época, Murphy utiliza a cultura pop como ferramenta para contar história. A escolha para esse contexto, no entanto, volta-se para um público bem específico, embora o drama que os permeia seja universal.

A história retratada é a estimada – e antiga – trama de superação com personagens cativantes que fisgam o público assim que aparecem. Narrada em capítulos que abordam questões tangentes à comunidade LGBTQ+ da época, “Pose” conduz o público à imersão nesse universo e a desenvolver empatia pelos personagens. O que torna a série ainda mais cativante é o fato de que os personagens principais são compostos por atrizes transexuais, homens negros e homossexuais.

O estilo de filmagem do diretor, ajuda os telespectadores a se aprofundar na trama. Com um quadro de filmagem bem amplo, que permite pegar o mínimo detalhe, seja em um quarto pequeno de uma casa simples ou em um salão de baile com mais de 100 pessoas vestindo roupas brilhantes, a irmersão se torna algo imperceptível.

A primeira cena de Pose é alucinante tanto no ritmo quanto na quantidade de informações. Liderado por Mama, um grupo rouba acessórios de roupas da realeza para serem usadas em um concurso de desfile de moda temática. Na tela, são 10 minutos entre o planejamento, o corre-corre da operação e o momento triunfal do desfile. Tudo de um fôlego só, com mil referências à década de 1980 das cores à trilha sonora, que é algo fenomenal na série. A trilha sempre vai remeter o tempo o ritmo de bailes e danças da era “Vogue”.

Os cortes de cenas tornam a trama mais envolventes, mesmo que haja histórias distintas dentro da série, um elemento sempre acaba ligando uma a outras, até porque os personagens sempre estarão interligados emocionalmente.
Outro elemento crucial que a série traz são as cores utilizadas nas tomadas. Quando o foco não está nos bailes cintilantes e se concentra na vida de Stan Bowes, um homem branco casado, com duas e um bom emprego, mas que está cansado de sua vida monótona, as cores elementais na cena se tornan frias, com tons de cinza, bege e marrom claro.
Em contraponto, quando o foco e o baile e vida das pessoas que fazem parte do universo LGBT, as corea se tornam vivas. Até mesmo quando o personagem conhece e se envolve com a protagonista transexual, Angel, as cores ao ser redor ficam mais vivas, em tons de vermelho e azul.

Contudo, a série é um espetáculo visual, o que condiz com o seu sucesso mundial atravéz da plataforma streaming. Seus elementos cinematográficos são um ponto forte juntamente com a trama dos personagens, que são únicos e ferozes. “Pose” se tornou um marco para comunidade.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Playlist para o Dia dos Namorados no Spotify

O Observatório Cultural, acaba de lançar o Observatório do Amor, uma nova playlist no Spotify, com músicas especiais para o Dia dos Namorados. Confere lá  e celebre a união amorosa entre casais e namorados.
Logo abaixo, segue o link para direcionamento à página:

https://open.spotify.com/playlist/4Q0zkk0v4XtHaQ9aDJSv8p?si=8I2l24wCSlu2uGfDn6FVBA

A temática do negro em músicas de Gilberto Gil

 Por -  Pedro Augusto V. L. Soares A música enquanto discurso sonoro é produto de um contexto histórico, pois, o compositor capta através de...