segunda-feira, 25 de maio de 2020

Crítica Musical: Nova Colônia – Orochi



Sistema Dominó

O primeiro álbum do rapper Orochi, intitulado “Celebridade”, lançado nas plataformas digitais no dia 27 de março de 2020, traz na faixa Nova Colônia uma combinação de ostentação, luxo e opressão do sistema contra os negros.
A música Nova Colônia, presente no álbum Celebridade do rapper carioca Orochi, apresenta no clipe lançado no YouTube no dia 20 de março, imagens que retratam a luta da população negra contra a opressão do sistema, relatos de casos a exemplo do músico baleado com 83 tiros pelos militares na estrada do cambota no Rio de Janeiro, a garota Agatha baleada dentro de uma kombi voltando para casa no complexo do alemão, na zona norte do rio, etc.
Na primeira estrofe da música há seguinte fala “Pobre morador com medo até da sombra e do nada numa bala perdida encontra”. Esse retrato exemplifica a realidade das pessoas que moram nas comunidades, sua luta diária pela sobrevivência diante de uma inferioridade exposta na sociedade. Além disso, a música critica a forma correlacionada ao consumo de drogas no país. “Já que preto e maconha não presta, quanto vale um avião de coca?”. Essa menção é uma referência a militar da aeronáutica que levava cocaína no avião da FAB e foi preso pela polícia da Espanha.  O questionamento do rapper evidência a violência estética e a forma que o racismo está visível na sociedade, e dos diferentes enquadramentos das leis para as pessoas, condicionado a sua condição socioeconômica, determinando os valores de consumo e tráfico.

Fogo no sistema

Considerado símbolo sagrado na maioria das religiões, a palavra está presente na música retratando o incêndio no Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, as queimadas na Amazônia e os desafios de quem batalha a cada dia para um democratização, sob uma perspectiva de menos violência e mais acesso a informação, cultura e direito.
A Batida da música é envolvente, norteando aspectos de como vencer na sociedade em tempos de opressão, calamidade e recrutamento para o crime. O ativismo musical pelo qual o rapper Orochi ganhou destaque, foi após ser preso pela polícia numa abordagem de rotina aonde o mesmo estava com uma bucha de maconha que virou a música balão. A poesia presente no álbum lançado mostra que o rap é arte, a voz dos oprimidos ouvidos da sociedade.

 Videoclipe

No clipe musical, a letra se conecta com as imagens, que mostram a realidade vivida por diversos brasileiros. Imagens em preto e branco são utilizadas para dar um tom sombrio ao que se passa. O jogo de luzes dá as caras nas batidas frenéticas, que até podem ser uma referência a sirenes policiais. Ao todo, o clipe é bem construído e direto.

Veja mais

Ø  Cantor: Orochi – Música Balão – Lançada no dia 25 de março de 2019. Faz parte do EP “Real Freestyle”. A música ganhou projeção imediata ao apresentar a prisão doraaper.
Ø  Link para acesso do vídeo: https://youtu.be/L8_116bLouo

Ø  Cantor: Jonhy MC – Música Negro – Pública no YouTube no dia 20 de novembro de 2019. O MC faz crítica direta a sociedade racista, com exemplos do garçom que foi morto pelo PM no RJ quando carregava um guarda-chuva e foi “confundido” por um fuzil.

Ø  Link para acesso do vídeo: https://youtu.be/opP7UkD0O9Y

Ø  Cantor: Cesar MC – Música Quem Tem Boca Vaia Roma – Lançada na plataforma YouTube no dia 13 de junho de 2018, na realização Pineapple Supply e Brainstorm Studio, projeto aonde rappers deixam seus beats.

Ø  Link para acesso do vídeo: https://youtu.be/or43G_BMPc4

quarta-feira, 29 de abril de 2020

MC Poze do Rodo faz sucesso no Rio de Janeiro

Hit do MC vira febre na Internet

Por: Diógenes Filipe Lemos, Jacson Gonçalves, Mateus Lima



 Imagem: internet

Base Metodológica para análise do videoclipe 
To Voando Alto - Mc Poze do Rodo
Nome do videoclipe: Mc Poze do Rodo - To Voando Alto (Clipe Oficial)
Nome da canção: To Voando Alto
Tempo do videoclipe: 2:28
Veículo: YouTube
Artista: Mc Poze do Rodo, Dj Gabriel do Borel
Álbum: To Voando Alto
Licenciado ao YouTube por:
ONErpm (em nome de Mc Poze do Rodo); LatinAutor, UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA – UBEM

MC Poze do Rodo é um MC de funk carioca que tem em seu repertório músicas que abordam temas como criminalidade com homenagem a amigos presos ou mortos. As canções fazem citações ainda às instituições policiais, uma tendência denominada de Funk Proibidão e foi cantando na favela que ele se tornou conhecido nos bailes do Rio de Janeiro e posteriormente ganhou visibilidade nacional. O lançamento do seu primeiro single, “Voando Alto”, dá grande destaque ao artista. A música se tornou um hit o tornando ainda mais conhecido ao entrar no top 30 do spotify.
O cantor que já tinha sido preso sob acusação de apologia ao crime ao sair da prisão refuta a acusação alegando estar sendo vítima da criminalização do funk. E é após esse fato que ele lança “To voando alto” numa celebração evidente ao seu retorno e sucesso. O videoclipe da música apresenta o cantor elegante, vestindo terno, no Helicóptero, ostentando sua corrente de ouro e sua moto com seus amigos no morro. Ao final, o clipe o mostra comemorando com seus amigos e mulheres numa lancha, com o lindo cenário do Rio de Janeiro. No clipe podemos observar um detalhe na lancha, que faz referência ao Dj Gabriel do Borel, um dos produtores da música.

A performance do cantor perpassa desde o figurino, onde, inicialmente, aparece bem vestido com seu terno elegante, de óculos, ostentando seus anéis. No morro, veste uma camisa de time com sua corrente de ouro volumosa montado numa moto. Na lancha, aparece com uma camisa mais social extravagante, de bermuda jeans e sorrindo bem à vontade.

Imagem: Internet

Quanto a narrativa visual do videoclipe, há utilização de efeitos como a câmera lenta, a diferença de velocidade da imagem, entre lento e mais veloz dá a sensação de movimento ao clipe. Os cortes entre uma cena e outra, são bem feitos dando o ritmo próprio a linguagem do funk carioca. Além disso, imagens aéreas são bem pensadas, porque, conseguem capturar boas imagens da comunidade onde o cantor cresceu, o cristo redentor fonte de fé, força e motivação para o Mc que visa um futuro mais tranquilo através de seus sonhos, como explicita nas letras de suas canções. O movimento cenográfico dos componentes de clipe, como o estouro da champagne, moto e pôr do sol ressaltam ainda a ostentação.

A música no início causa uma surpresa para a pessoa que não costuma escutar funk, porque a pessoa espera um funk com palavras de baixo calão e onde a imagem da mulher seja objetificada como tradicionalmente esse gênero musical aborda. Mas, o que se ouve é uma batida de música que contagia o ouvinte a dançar e cantar quebrando o preconceito. O cantor fala de tudo que ele conquistou desde quando começou. Ele não faz simplesmente uma lista do que tem, mas mostra de onde ele veio com os amigos.

O nome voando alto começa a fazer sentido quando o Mc Poze do Rodo está no helicóptero sobrevoando a favela onde cresceu e isso torna-se inspirador. Ele deixa claro que está trabalhando e guardando dinheiro para assegurar a família no futuro, para não voltar a passar dificuldades. A luta e força de trabalho são os valores do MC, que ainda mostra sua linda cidade sob o mar e no céu.

MC POZE é conhecido como pitbull do funk na comunidade da Cidade de Deus, onde hoje vive e protege a comunidade, não está associado a valentia no videoclipe. Há uma narração verbal explícita junto com algumas partes do videoclipe como, por exemplo, o Mc na lancha com os amigos festejando e estourando champagne, o Mc no Helicóptero sobrevoando a comunidade onde cresceu, passando uma mensagem na linguagem informal de que “a favela venceu” perante seus desafios.

A música traz a sensação, sentimento, motivação e consegue mexer com a emoção de cada um que se identifica com a realidade de vida que cerca o Funkeiro de que é possível realizar seus sonhos mesmo no contexto histórico que hoje em dia envolve muita violência, desemprego e um sistema de saúde precário. É importante destacar que o que nos é apresentado no videoclipe corresponde imageticamente ao que diz na canção. Pois, a vida pessoal do artista em questão está sendo encenada quando o cantor cita “sigo na minha luta e trabalhando dobrado” e “eu vou guardar meus cash (dinheiro) pra multiplicar meus bens, porque minha maior meta é deixar minha família bem” essa é a meta de vida do cantor.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

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Playlist - Nininha Problemática

quarta-feira, 22 de abril de 2020

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Nininha Problemática e sua “Metralhadora de Bunda”

Publicado em 
por: Larissa Couto, Rafael dos Santos, Poliana Lima

Grupo baiano de pagode lança novo videoclipe 



Primeiro grupo de baiano com cantora drag quenn, Nininha Problemática lança videoclipe apresentando a música “Metralhadora de bunda”. A música começa com a cantora se identificando e mostra como é reconhecida no Bairro 7 de Abril, onde vive em Salvador. “O meu nome é Nininha, sou diva na minha favela”, diz o trecho ao som do pagode baiano, gênero musical  que faz sucesso nos paredões – nome dado a uma festa com vários carros de som , principalmente nos bairros periféricos de Salvador.
Sentada em um trono colocado em cima de uma laje num bairro periférico de Salvador, a cantora Nininha Problemática se apresenta assim na primeira imagem do seu novo videoclipe “Metralhadora de Bunda”. O vídeoclipe foi gravado em bairros periféricos da cidade de Salvador e traz a artista com looks vibrantes, que se misturam na dança. Além disso, o elenco é formado por gays e transexuais demonstrando militância quanto às bandeiras LGBTQIA+, defendidas pela  baiana.


A letra de empoderamento da música é dedicada às mulheres que nasceram no corpo de homens, travestis negros e fora dos padrões heteronormativos aceitos pela sociedade e, que em sua maioria, marginalizados. Nininha traz essas pessoas vestidas com roupas consideradas sensuais e dançando com muito deboche e poder. Bordões normalmente usados pelo público LGBTQIA+ como “viado não é bagunça, travesti não é bagunça”, são utilizados como forma de se impor e mostrar que eles também merecem respeito.
O vídeo ainda traz a cena de um homem, supostamente o presidente do Brasil, por estar usando paletó e uma faixa presidencial, sendo torturado. Nininha e suas seguidoras amarram quem seria Jair Bolsonaro, como forma de protesto contra o atual governo.
            Com looks bafônicos, a cantora está sempre acompanhada de gays afeminados, conhecidas como poc poc no mundo gay. O clipe conta com a participação da cantora da banda A Travestis, a baiana Tertuliana Lustosa, uma travesti que vem cada vez mais conquistando o espaço no pagode baiano, com a bandeira LGBTQIA+.

A temática do negro em músicas de Gilberto Gil

 Por -  Pedro Augusto V. L. Soares A música enquanto discurso sonoro é produto de um contexto histórico, pois, o compositor capta através de...